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terça-feira, 10 de maio de 2011

4a. SEMANA - EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA: AVANÇOS E DESAFIOS

DADOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO PAÍS
Katia de Souza Amorin
Profa. USP



Com relação à educação inclusiva de 1998 a 2006 os dados de matriculados foi significativamente crescente, passando a frequantar mais as escolas regulares do que as especializadas.

Em 2006,  700 mil pessoas no ensino regular, porém 14,5% da população tem necessidades especiais, sendo estes 2% jovens e crianças, totalizando assim 2.850.604 jovens e crianças com NE que não estão na escola.... Então, onde estarão?

Como vem sendo o processo de recepção das escolas aos portadores de necessidades especiais.

Feito um estudo em rede pública e privada de uma cidade do interior de SP, escolas estas regulares e específicas. Deste estudo soube-se:

  1. Dificuldade de acesso à informações (somente em escolas especializadas), nas demais não há, ou há muita falha em registros, observando-se assim a dificuldade para traçar uma análise;
  2. Dificuldade em traçar diagnóstico, dificultando assim a forma de atuação para com a criança;
  3. Não há diferenciação entre os graus de deficiência; Quem dá os diagnósticos? Cuidado
  4. Variância em redes de ensino; 
  5. Dominância absoluta de jovens e crianças do sexo masculino, será que as meninas estão sendo excluídas? Será que os meninos tem sido mais estigmatizados?
Tempo de permanência:
Escola pública: 1 a 4 anos, de maneira descontínua, com interrupções
Escolas especiais: passam anos, as vezes o resto de suas vidas
Salas especiais

A maioria esta na Educação Infantil e Ensino Fundamental, e minoria no Ensino Médio, vai se afunilando.

Em conjunto tem sido pensada uma ação entre governo e escolas especializadas, mas a parceria ainda é muito baixa. Estão mais em Educação de Jovens e Adultos e Educação Precoce, do que no ensino regular.

ONDE ESTÁ A MAIORIA DESTES JOVENS E CRIANÇAS? AINDA HÁ EXCLUSÃO, MESMO DEPOIS DAS LEIS QUE GARANTEM TAL DIREITO? COMO AS ESCOLAS LIDAM? QUAL SERÁ O FUTURO DESTES JOVENS E CRIANÇAS?

Investimento, diagnósticos verídicos, cuidadosos, só assim é possivel traças estratégias corretas para lidar com a situação.




TRAJETÓRIA ESCOLA DE DEFICIENTES E A EJA:
A QUESTÃO DO FRACASSO ESCOLAR.
Lucia Tinós
USP

   São apresentadas duas pesquisas, quantitativa e qualitativa.
 1ª- Coletar dados de alunos com deficiência durante os últimos 10 anos foi difícil, devido à falta de registros (pesquisa quantitativa).
 2ª- Jovens que resignificaram as suas trajetórias até chegar a EJA (pesquisa qualitativa).

   Leis:
   LDB EN- 9.394/96 – Artigo 37- constitui a EJA como modalidade de ensino utilizado na rede pública no Brasil, para propiciar a educação de jovens e adultos.
   Parecer CEB- nº 11!2000: orientações sobre a organização e a função dessa modalidade de ensino.
   Mesmo com as legislações garantidas as EJA, ela é historicamente deixada de 2º plano, e não há continuidade e planejamento.

Quem é o aluno do EJA?

  Sujeitos composto pela EJA na diversidade.
  São das camadas socialmente mais empobrecidas e marginalizadas: negro, idoso, trabalhador rural, alunos com necessidades especiais.
  Hoje já apresenta o aumento do aluno com deficiência.
   O estudo aponta que de 2.004 a 2007, a EJA começa a reduzir o número de alunos, porém há esse aumento, neste mesmo período a maioria dos alunos matriculados na EJA tinha deficiência mental.
   Há dificuldade em saber qual é realmente a deficiência do aluno. Não se sabe nestes estudos de onde parte os diagnósticos.
   Ao pensar nos alunos de EJA, estes se encaixam em um grupo que não teve oportunidades de estudo na infância, porém o que se constatou é que os alunos matriculados na maioria nesta modalidade de ensino eram alunos que tiveram um passado escolar em instituições especiais, e com isso não conseguiram completar a escolarização e procuraram a EJA no 1º segmento.
   Em outra pesquisa, analisa-se a trajetória de dois alunos, onde é citado o caso da Paula.
   Paula tem distonia generalizada. Durante o processo de alfabetização esteve em escola particular, foi alfabetizada, a partir dos 12 anos frequenta escola pública, o que a leva para uma oficina, a aluna relata ainda  que desaprende muitas coisas. Durante a  trajetória escolar, se matricula na EJA, e,  por causa das dificuldades de locomoção não consegue terminar seus estudos.
   A aluna diz que quando obteve o seu diploma de ensino fundamental, o professor foi determinante para essa conquista, pois ele  perguntava à Paula, como ele poderia ajudá-la e ela dá dicas para ele, professor este que consegue valorizar o saber da aluna, para além da sua deficiência.
   Durante processo escolar a aluna sofre descriminação, não com relação ao professor e colegas, mas lhe tiram o direito de avanço e desenvolvimento.

   EJA : avanço ou armadilha?

   Nota-se que nestas modalidades muitas vezes os alunos ficam vários anos na mesma sala, com restritos avanços. Devemos nos atentar para qual é o sentido que é dado a EJA. Os alunos que procuram esta modalidade de ensino já têm história marcada por exclusão, mas que possuem projetos e sonhos.
   É importante que o docente, não só para EJA, mas em todas as modalidades de ensino, estimule visibilidade às pessoas que historicamente não enxergamos, não escutamos, não falamos, não acolhemos ou não acreditamos.

DEPOIMENTO PESSOAL:
Minha vó tem 76 anos e está no EJA a alguns anos. Tive oportunidade de conhecer algumas professoras dela, muito competentes e atenciosas,e também alguns colegas, inclusive portadores de necessidades especiais.
Ela nunca teve oportunidade de estudar por ter ficado viúva e com filhos muito cedo, mal sabia escrever seu nome e hoje se orgulha em mostrar-me suas equações e poemas... E eu me orgulho muito desta dedicação que ela demonstra ter, especialmente porque, mesmo sem ter um compromisso externo, ela jamais falta às aulas, sempre muito dedicada e empenhada em fazer o seu melhor.
O EJA teve suas falhas, e as tem até hoje! Quando os alunos começam a se ausentar demais a professora pede para que compareçam, senão ameaçam fechar turmas... Porém por diversas vezes compartilhei com minha querida vó passeios, teatros, cinemas nacionais, e algumas outras oportunidades de conhecimentos culturais, por iniciativa da escola. 
Enfim, acredito que, se não fosse por esta oportunidade mesmo que extremamente falha, e sem muita importância aos olhos das políticas públicas, minha vó jamais seria alfabetizada, ou aprenderia escrever algo além do próprio nome que era tudo o que sabia quando entrou na escola.
Desta forma temos a opção de perceber a EJA como uma organização cheia de falhas, com negatividade, uma instituição que apenas recebe os excluídos, ou ainda uma instituição que lhes dá uma oportunidade, mesmo que restrita e condensada, de desejar,  e permanecer com seus sonhos mesmo frente a tantos desafios. E isso claro, incluindo os próprios docentes!
Ellen  

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